Estudantes de todo o Brasil conhecem o IEMA em Bienal da UNE; Maranhão voltou a ser aplaudido

11 de fevereiro de 2019

TratBenNa sexta-feira (8), participantes da 11ª edição da Bienal da UNE (União Nacional dos Estudantes) voltaram a aplaudir o Maranhão. Desta vez, o motivo principal foi o IEMA – Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão. O estado havia sido homenageado pelos estudantes no dia anterior (quita, 7) por ocasião da participação do governador Flávio Dino.

O IEMA foi apresentado ao público pelo reitor Jhonatan Almada, que participou de um dos “Debates educacionais” – parte da programação do evento – com o tema “O futuro da rede de institutos estaduais e federais tecnológicos frente aos ataques sobre a educação pública”. O debate aconteceu no auditório de Farmácia da Ufba – Universidade Federal da Baía, campus Ondina.

Lideranças estudantis de várias partes do país, inclusive do Maranhão, pararam para ouvir o que Jhonatan Almada tinha a dizer sobre o futuro da rede de institutos estaduais e federais tecnológicos. Almada iniciou citando a agenda política vitoriosa nas eleições de 2018 no estado pontuando, por exemplo, a importância dos investimentos em segurança. Em seguida, passou a tratar da agenda educativa. “A pauta da educação transcende as eleições”, disse o reitor. Após abordar os temas prioritários da agenda educativa, o reitor foi bastante aplaudido ao explicar que “aqueles que deveriam cuidar dos verdadeiros problemas da educação (financiamento, infraestrutura, acesso, qualidade…) elegem ‘falsos problemas’, tais como ideologia de gênero, doutrinação, falta de patriotismo e, ao final, dizem que Paulo Freire é o culpado”.

Ainda na seara da agenda educativa, mostrou os desafios técnicos e os desafios políticos. Do técnico citou a ‘frágil estrutura de gestão e implementação da política educacional em todos os níveis da federação’. No âmbito dos desafios políticos nomeou o ‘clientelismo e o patrimonialismo na gestão educacional’ e a ‘falta de continuidade das políticas de sucesso iniciadas por gestões anteriores’.

Uma plateia preocupada com o próprio futuro e o futuro dos institutos estaduais e federais tecnológicos ouvia com atenção ao reitor. Os estudantes ocuparam todas as cadeiras, os corredores e parte da entrada do auditório. Com “O Maranhão na agenda”, terceiro tópico de sua fala, Jhonatan Almada apresentou o IEMA e garantiu que é possível fazer uma educação pública de excelência. A comprovação veio com a apresentação do modelo institucional e os resultados. O Maranhão voltou a ser aplaudido quando Almada mostrou indicadores como o que revela a evolução no número de aprovados no IEMA. Em 2016, primeiro ano do Instituto, o índice de aprovação foi de 78,8%. Em 2018, esse número subiu para 94%. Outro dado que chamou bastante a atenção foi o da evasão. 2016 registou a média de 4,8%. 2018 registrou um número bem menor; apenas 0,18%.

Números como o de medalhistas (1.156), refeições diárias (9.828), 2.162 crianças beneficiadas pelo Robótica na Estrada, a medalha de bronze e menção honrosa na Olimpíada Internacional de Matemática da Ásia, Medalha de ouro, prata e bronze na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, e reconhecimentos internacionais como o Escola Associada da Unesco também foram apresentados pelo reitor e deixaram o público cheio de entusiasmo.

Imagens Ben (195)À pergunta sobre o futuro da rede de institutos estaduais e federais tecnológicos frente aos ataques sobre a educação pública o reitor do IEMA respondeu que o caminho é enfrentar a ignorância com inteligência. Esse caminho é feito com aprendizado e buscas. ‘Planejamento e gestão com monitoramento e acompanhamento de resultados’, e ‘prestação de contas à sociedade que é dever constitucional e fortalece a instituição pública no coração do povo’ estão entre itens do aprendizado.
No que diz respeito às buscas, Almada afirmou que ‘formar cidadãos e técnicos não é suficiente e que é preciso formar novas lideranças para o Brasil como tarefa institucional’. “Se é de ineficiência que nos acusam, as conquistas dos nossos professores e estudantes são os emblemas, bandeiras e escudos e devemos empunhá-los.”

O reitor do IEMA encerrou sua fala pedindo um ‘viva’ a Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire, no que foi atendido pela plateia. Os estudantes homenagearam o Maranhão com esta música: “Ô estudante, o Maranhão / no meu estado tá tendo revolução; “Ô estudante, o Maranhão / no meu estado tá tendo revolução”

A Bienal da UNE – Festival dos Estudantes foi encerrada neste domingo (10) com um saldo positivo de participação grêmios estudantis. Do Maranhão, além de um grupo de estudantes do IEMA, participaram estudantes de outras instituições de ensino com o Ifma – Instituto Estadual.

CONHEÇA A BIENAL DA UNE

Bienal da UNE é um festival que acontece a cada dois anos e que reúne a produção artística dos estudantes brasileiros em um único espaço. Artes plásticas, música, literatura, cinema, fotografia, artes cênicas e toda a efervescência cultural das salas de aula do Brasil. O evento aconteceu de 6 e 10 de fevereiro, na Universidade Federal da Bahia, e reuniu mais de 10 mil estudantes oriundos de todas as regiões do Brasil. Esta décima primeira edição homenageou Gilberto Gil e sua obra como artista, diplomata, ambientalista, político e músico.

Esta é a 11ª edição da Bienal da UNE e celebrou 20 anos de existência com uma volta às origens na capital da Bahia, Salvador. Pela primeira vez as três entidades estudantis: União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) se uniram em um grande evento. A Bienal da UNE – Festival dos Estudantes virou o maior encontro estudantil da América Latina.